Metade da classe política, em particular das esquerdas, anda por aí a trautear o que é suposto ser o hino de um conjunto aleatório de indivíduos que se situam na mesma faixa etária - vulgo "geração". Então, generalize-se: que geração parva. Esta gente optou pelo facilitismo, pela acomodação e pelo deixa andar. Com condições de vida muito melhores do que os seus ascendentes, julgou que uma licenciatura de papel e lápis (as famigeradas "ciências sociais") lhes traria emprego garantido, bem remunerado e despreocupado. Agora, lamentam estar a desperdiçar as suas "qualificações" em call centers. São os tais escravos letrados que a canção dos Deolinda aborda. Claro que a responsabilidade pela situação dramática é sempre exógena: são os políticos, a sociedade, o sistema. O problema desta geração perdida existe. Mas, se se querem revoltar, é melhor começarem por si próprios.