Para quem assiste aos spin doctors profissionais na ficção séria (ver West Wing) ou humorística (ver The Thick of It), as estratégias de comunicação política nas presidenciais parecem uma tragi-comédia. O único candidato que parece ter uma mensagem clara e definida para o eleitorado é o "político não-profissional" Cavaco Silva - embora esteja a resvalar no caso BPN. Alegre e a sua trupe das esquerdas pautam-se pela desorientação: como challenger, deveria ter um discurso determinado, acutilante, aproveitando os pontos fracos do mandato presidencial - que não são poucos. Mas opta por atacar Cavaco Silva no único ponto em que é indestrutível: a honestidade. De resto, sobra a cassette do PCP, o narcisimo humanitário de Nobre e o provincianismo de Defensor. Pode ser que o candidato clown José Manuel Coelho, com as suas tiradas populistas certeiras, anime a coisa.