Tuesday, December 28, 2010

Ironia contra o centralismo

Se se pensa que as relações actuais entre a República e as autonomias são tensas, um capítulo do livro Todos os Portos a que Cheguei, biografia de Vasco Rocha Vieira, permite desvalorizar os recentes episódios de atritos institucionais. Quando o recém-nomeado Ministro da República aterrou nos Açores, em 1986, foi encaminhado para o sector internacional do aeroporto de São Miguel, pois eram aí que "chegavam os estrangeiros" - farpa de Mota Amaral. Na audiência de despedida, outra provocação: o então presidente do Governo Regional dos Açores acenou um lenço branco enquanto o automóvel de Rocha Vieira se afastava do Palácio de Santana. Dois gestos irónicos, entre outras picardias descritas na obra, que valem mil protestos contra o centralismo.