Tuesday, December 7, 2010

Herança perdida

Diz a regra que as efemérides se devem assinalar no próprio dia. Sá Carneiro, perecido num acidente/atentado (riscar o que não interessar) a 4 de Dezembro de 1980, merece uma excepção. O voyeurismo jornalístico disse muito sobre o homem e quase nada sobre as políticas. Visionário, o malogrado líder do PSD propunha uma fórmula inovadora de social-democracia portuguesa, em que esta seria uma finalidade e não uma via para o socialismo. E tinha quatro prioridades fundamentais: libertar a sociedade civil, afirmar a bipolarização com o PS, criar um Estado regulador forte e desmilitarizar o País (vide O Meu Sá Carneiro, de José Miguel Júdice). Exceptuando a última, nenhuma foi cumprida. E não se prevê que sejam tão cedo. Sim, porque Passos Coelho, mesmo que chegue ao Governo, não é nenhum Sá Carneiro.