Thursday, September 4, 2008
Jornalismo delirante
Ninguém interpretou melhor o ambiente de surrealismo frenético das corridas presidenciais americanas do que Hunter S. Thompson, precursor do gonzo journalism — estilo unipessoal de escrita que funde ficção e realidade, dimensões paralelas unidas pelo consumo de álcool e psicotrópicos. Leia-se Fear and Loathing: On The Campaign Trail, sobre o duelo de 1972 entre Nixon e McGovern, e os delírios de 2008 percebem-se bastante melhor. Thompson trouxe o seu estilo de escrita alucinado, dado a conhecer em Fear and Loathing in Las Vegas, à política. Na estrada com os candidatos, o escritor conheceu Bill Cardoso, também jornalista e também tresloucado, descendente de açoriano. Cardoso, editor do Boston Globe, viria mesmo a cunhar a expressão pela qual o jornalismo de Thompson se tornaria conhecido. Isto porque “gonzo” seria o calão utilizado em Boston para designar o último resistente após uma maratona de copos. Nada mais apropriado para o derradeiro intérprete do jornalismo literário.
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